Você já ouviu alguém dizer que teve uma pedra nos rins e sentiu uma dor insuportável? Essa é uma queixa comum em consultórios urológicos, e não à toa: o cálculo renal, ou pedra nos rins, é uma condição frequente que pode afetar pessoas de todas as idade, embora seja mais comum em adultos entre 30 e 50 anos
Neste artigo, quero explicar de forma clara o que são as pedras nos rins, por que elas se formam, quais os sintomas, como prevenir e quais são as opções de tratamento disponíveis. Vamos lá?
O que são pedras nos rins?
As pedras nos rins, ou cálculos renais, são estruturas sólidas formadas por cristais que se acumulam nos rins ou nas vias urinárias. Esses cristais podem ser compostos por diferentes substâncias, como cálcio, oxalato, ácido úrico ou cistina.
Quando tais substâncias estão em excesso na urina e a quantidade de água é insuficiente para diluí-las, elas podem se agrupar e formar uma pedra.
Os cálculos podem variar de tamanho: desde pequenos grãos de areia que são eliminados sem causar sintomas, até pedras maiores que bloqueiam a passagem da urina e provocam dor intensa.
Por que as pedras se formam?
Diversos fatores contribuem para a formação dos cálculos renais. Entre os principais, estão:
- Baixa ingestão de água: urinar pouco e de forma concentrada facilita o acúmulo de cristais;
- Alimentação rica em sal e proteínas: o excesso de sódio e proteína animal pode favorecer o desenvolvimento de cálculos;
- Predisposição genética: ter histórico familiar aumenta as chances de desenvolver pedras;
- Distúrbios metabólicos: algumas doenças, como hiperparatireoidismo, gota ou alterações no metabolismo do cálcio e do ácido úrico, aumentam o risco;
- Infecções urinárias de repetição: algumas bactérias favorecem a formação de certos tipos de cálculos;
- Uso de certos medicamentos e suplementos: como vitamina C em excesso, diuréticos ou suplementos de cálcio sem acompanhamento médico.
Quais são os sintomas?
O sintoma mais comum e marcante das pedras nos rins é a dor intensa e súbita, conhecida como cólica renal. Ela geralmente começa na região lombar e pode irradiar para o abdômen, virilha ou parte interna da coxa. O desconforto costuma vir em ondas e está relacionada ao movimento da pedra pelas vias urinárias.
Outros sintomas incluem: urina com sangue (hematúria); necessidade frequente de urinar; dor ao urinar; náuseas e vômitos; febre e calafrios (quando há infecção associada); e urina turva ou com mau cheiro.
Vale lembrar que cálculos muito pequenos, às vezes, são eliminados espontaneamente sem provocar sintomas.
Como é feito o diagnóstico?
Quando há suspeita de cálculo renal, o urologista pode solicitar alguns exames para confirmar o diagnóstico e avaliar o tamanho, localização e tipo da pedra. São eles:
- De imagem: como ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) sem contraste e, em alguns casos, raio-X simples;
- Urina: para identificar sangue, infecção ou cristais;
- Sangue: avaliam a função renal e detectam alterações metabólicas.
Esses testes ajudam não só no diagnóstico, mas também na definição da melhor conduta para cada caso.
Qual é o tratamento das pedras nos rins?
O tratamento depende do tamanho da pedra, da localização e dos sintomas que ela está causando. Veja as principais opções:
- Hidratação e controle da dor
Pedras nos rins pequenas (geralmente com menos de 5 mm) podem ser eliminadas espontaneamente com aumento da ingestão de líquidos e uso de medicamentos para aliviar a dor, como analgésicos e anti-inflamatórios.
Alguns remédios também ajudam a relaxar os músculos das vias urinárias, facilitando a eliminação do cálculo.
- Litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO)
É um procedimento não invasivo em que ondas de choque são usadas para fragmentar a pedra, facilitando sua eliminação pela urina. Funciona melhor para cálculos de tamanho intermediário e localizados nos rins ou ureteres superiores.
- Ureteroscopia para tratamento das pedras nos rins
Neste procedimento, um aparelho fino é introduzido pela uretra até o local da pedra. Ela pode ser fragmentada com laser e os pedaços são retirados. É indicado para pedras no ureter ou em partes acessíveis do rim.
- Nefrolitotomia percutânea
Trata-se de uma cirurgia minimamente invasiva, indicada para pedras grandes ou muito duras. É feita uma pequena incisão nas costas para acesso direto ao rim e remoção da pedra.
- Cirurgias mais complexas
Hoje em dia, raramente é necessário recorrer à cirurgia aberta, mas em casos muito específicos, ela pode ser indicada.
Como prevenir a formação de novas pedras?
A melhor forma de prevenir as pedras nos rins é adotar hábitos saudáveis e seguir orientações médicas personalizadas. Veja algumas dicas que sempre apresento aos meus pacientes:
- Beba bastante água: o ideal é urinar pelo menos 2 litros por dia. A urina deve estar clara, como “água de coco”;
- Reduza o consumo de sal e proteína animal: dietas muito ricas em sódio e carne vermelha favorecem a formação de cálculos;
- Evite excesso de alimentos ricos em oxalato: como espinafre, beterraba, chocolate e nozes, especialmente se você já teve pedra de oxalato de cálcio;
- Modere o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas;
- Não abuse de suplementos sem orientação médica, especialmente cálcio e vitamina C;
- Mantenha o acompanhamento com o urologista: se você já teve cálculo renal, é essencial fazer um check-up para investigar a causa e prevenir a recorrência.
Em alguns casos, é indicado realizar uma análise do cálculo eliminado (ou removido cirurgicamente) para entender sua composição. Com isso, é possível orientar medidas preventivas mais específicas.
Pedras nos rins têm prevenção e tratamento
As pedras nos rins são uma condição bastante comum, e embora muitas vezes passem despercebidas, podem causar dor intensa e comprometer a saúde renal.
Felizmente, com diagnóstico precoce, tratamento adequado e mudanças no estilo de vida, é possível tratar e prevenir novos episódios.
Se você já teve pedra nos rins ou tem sintomas sugestivos, não hesite em procurar ajuda médica. A urologia dispõe de métodos modernos e eficazes para cuidar da sua saúde renal.



